Comer por dois
A gestante deve mesmo “comer por dois”?
2 de novembro de 2019
Crédito: Imgr
Dia Mundial da Prematuridade: como o pré-natal ajuda a identificar fatores de risco da gestação
17 de novembro de 2019
Além de facilitar a passagem do bebê pelo canal vaginal, o vérnix caseoso funciona como uma proteção para a pele do bebê

Muitas fotos de parto como esta (acima, da Cegonha Imagens), chamam a atenção por esta camadinha branca em cima da pele do recém-nascido. Este manto protetor se chama Vérnix Caseoso e tem funções muito especiais. Trata-se de uma mistura complexa de água (80%), proteínas (10%) e lipídeos (10%). É desenvolvido no ultimo trimestre de gestação e produzido da cabeça aos pés e de trás pra frente, nessa ordem mesmo, para facilitar a passagem pelo canal vaginal na hora do parto. É por isso que bebês que nascem prematuros não têm o vérnix, e bebês que nascem a termo têm em bastante quantidade.

A pediatra Carolinne Dal Ri, sócia da Nasce Criança, explica as demais funções do vérnix:

“Por ser composto de gordura, ainda na placenta, ele permite que a pele do bebê fique protegida e amadureça em meio à exposição excessiva à água durante seu desenvolvimento. Além das funções hidratantes naturais, é considerado um importante mecanismo de defesa antimicrobiano, diminuindo o risco de infecções transmitidas pelo liquido amniótico. Tem ainda atividade comprovada contra bactérias e fungos comuns”, detalha.

Essa película desaparece poucos dias após o nascimento, mas tem sido uma prática rotineira há décadas nas maternidades ocidentais remover o vérnix imediatamente após o nascimento antes de apresentar o bebê aos pais, por ser erroneamente associado a “sujeira”. No entanto, é fundamental a reconsideração dessa prática:

“A retenção do vérnix, comparada à remoção imediatamente após o nascimento, leva a uma maior hidratação da pele 24 horas após o nascimento, auxilia na regulação da temperatura do bebê e contém moléculas antiinflamatórias, além de ser uma barreira natural contra bactérias”, comenta a pediatra.

A pele do bebe é bastante sensível, e as glândulas sudoríparas (aquelas que produzem o suor) não estão totalmente prontas, fazendo com que a pele do bebê fique com o pH mais baixo, pois depende do ácido lático do suor para tornar a pele menos suscetível à entrada de bactérias. Como o vérnix é ácido, permite a passagem só das bactérias que são necessárias para nossa sobrevivência, que colonizam a pele de maneira saudável. Além disso, é repleta de agentes imunológicos importantes.

A Organização Mundial da Saúde desde 2009 recomenda a retenção de vérnix por pelo menos seis horas após o nascimento. Mas para garantir a proteção e se não há nenhum risco, o ideal é adiar o banho por 24h do parto.

“A conduta ideal seria apenas secar o bebê, sem remover o vérnix ou esfregar. Claro que algumas condições exigem a retirada rápida desta barreira protetora, por exemplo, se a mãe for HIV positiva ou tiver uma infecção genital ou no liquido amniótico importante. Desta forma, o banho deve ser imediato. Se estiver tudo certo, o vérnix está liberado para ficar. O ideal é que se converse com o pediatra antes, manifestando o desejo, pois nem todos os hospitais seguem a indicação de manter por 1 dia inteiro”, recomenda Carolinne.

Leia também aqui no site da Nasce:
# Qual é o sabonete ideal para o bebê?
# Grávidas podem pintar o cabelo?

Nasce Criança
Nasce Criança
Nosso propósito é promover o planejamento saudável do desenvolvimento da criança, envolvendo todos os aspectos de saúde, com atendimento pediátrico, nutricional, odontológico e todas as especialidades necessárias nos primeiros anos de vida do bebê.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *