Reconstrução mamária: mastologista e cirurgião-plástico explicam como é realizada

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Recebido o diagnóstico de câncer de mama, a atenção e preocupação das pacientes voltam-se às diferentes alternativas de tratamento. Essas incluem a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Além disso, em meio a tantas dúvidas e inseguranças que surgem, é necessário abordar os aspectos que envolvem a reconstrução mamária, etapa indissociável das demais.

Ainda que alguns mastologistas incluam em suas atividades a de remoção e reconstrução das mamas, a maioria das equipes costuma ser composta por mastologistas e cirurgiões plásticos que assistem as pacientes de forma integral. É por isso que hoje o cirurgião plástico Paulo Favalli e a mastologista Michela Fauth Marczyk, ambos do Nasce, trazem as informações mais importantes sobre este assunto para ajudar outras mulheres.

Muito se avançou nas últimas décadas quanto às opções terapêuticas e as técnicas cirúrgicas buscam, sempre que possível, serem conservadoras, no que envolve a retirada da mama.

Quando o mastologista avalia o tipo de lesão da paciente e se define pela retirada de uma parte da mama (setor), isto significa que sua maior parte será preservada. Nestes casos, há boas chances das funções da mama permanecerem inalteradas. As cicatrizes costumam ser pequenas e posicionadas de forma a evoluírem da maneira mais discreta possível. A área de remoção será reconstruída localmente com o tecido mamário adjacente, buscando minimizar irregularidades decorrentes da área esvaziada. É importante mencionar que, eventualmente, a lesão pode estar bastante relacionada com a aréola e o mamilo, ou complexo aréolo-mamilar (CAM), fazendo-se necessária a sua retirada. Nestes casos o impacto sobre a função mamária é significativo e costuma se refletir, da mesma forma, na auto-estima da paciente.

Existem estratégias cirúrgicas e/ou com tatuagens que permitem a reconstrução do complexo aréolo-mamilar, mas deve-se ter em conta que essas, mesmo aprimorando em desenho, forma ou silhueta, (o que muito contribui para a condição emocional das pacientes), infelizmente não resgatam as funções, primordiais da aréola e do mamilo, de lactação e sensibilidade erógena.

As setorectomias, como são chamadas estas cirurgias, costumam ocorrer em caráter ambulatorial, ou seja, a paciente vai ao hospital, realiza a cirurgia em bloco cirúrgico, geralmente sob anestesia geral, e recebe alta no mesmo dia, após plena recuperação desta anestesia. Em princípio não costuma ser uma cirurgia dolorosa, os cuidados pós-operatórios estendendo-se principalmente dentro dos primeiros quinze dias.

Nos casos em que o mastologista informa a paciente que será necessária a retirada de toda a mama, a consulta com o cirurgião plástico deve abordar o plano de reconstrução mamária. Esta, na vasta maioria das vezes, envolve mais de uma etapa, isto é, duas ou mais cirurgias.

Procedimentos mais frequentes em reconstrução mamária

Entre as opções técnicas já bem estabelecidas, a reconstrução envolverá, geralmente como primeira escolha, substituição da mama removida (mastectomia) por um implante de silicone. Porém, o que difere a colocação de implantes, nestes casos, daqueles em que são usados para o aumento mamário estético, é que o implante será fundamental para dar forma e volume à nova mama. A reconstrução é feita sob a pele que envolve a mama, mas, como não haverá mais tecido mamário, é necessário lançar mão do músculo Peitoral Maior, para se proteger adequadamente o implante. O uso deste músculo nas reconstruções não costuma comprometer o movimento do braço do lado operado, mas torna a cirurgia mais invasiva, o que demanda em média 3 a 4 dias de internação para o devido controle da dor através de analgésicos opióides.

Para que o implante seja utilizado nesta primeira etapa, o cirurgião deve observar sua perfeita acomodação no espaço confeccionado, tendo em mente a forma prévia da mama, a forma da mama contralateral e o biotipo da paciente. Nas situações em que, no transoperatório, constata-se que não é possível a reconstrução imediata com implante, lança-se mão do expansor mamário. O expansor é bastante semelhante a um implante em sua forma, porém vazio, sendo composto de uma membrana de silicone e de uma válvula. Trata-se de um recurso de grande valor quando o músculo peitoral e a pele da paciente não comportam um implante do volume desejado. Assim, o expansor, colocado neste primeiro tempo cirúrgico, será preenchido gradualmente com soro fisiológico, através de injeções feitas em consultório, semanas após, permitindo que se crie o espaço necessário para a colocação definitiva do implante em um segundo tempo cirúrgico.

Cabe ressaltar que a paciente é sempre orientada no pré-operatório sobre a necessidade de a equipe ter que decidir entre o uso de um implante ou do expansor, conforme os achados transoperatórios, o que faz, muitas vezes, que ela venha a saber, no final da cirurgia, qual dispositivo foi usado.

A segunda etapa de reconstrução, salvo algumas situações pontuais, costuma envolver a simetrização da mama não operada com a que foi reconstruída. Opta-se por se fazer esta simetrização, geralmente, em um segundo tempo para se aguardar a plena acomodação do implante e dos tecidos no sítio reconstruído. Ainda que a reconstrução evolua de forma satisfatória, restabelecendo silhueta, autoestima e conforto à paciente para vestir-se, raramente a mama reconstruída apresenta o mesmo caimento da mama contralateral. Assim sendo, a segunda cirurgia se faz necessária para se ajustar o equilíbrio entre as duas mamas.

Nos casos em que se utilizou o expansor mamário na primeira cirurgia, realiza-se a troca deste pelo implante definitivo no segundo tempo cirúrgico. Nestes casos, costuma-se associar a simetrização da outra mama também neste tempo cirúrgico. O intervalo entre uma cirurgia e outra, salvo questões que envolvam quimioterapia e radioterapia complementares, costuma ser de 6 meses.

Reconstrução mamária sem silicone, existe?

Cabe citar que existem técnicas de reconstruções que podem abdicar do uso de implantes. O abdome das pacientes, geralmente daquelas que já tiveram filhos, pode servir como zona doadora para reconstruções mamárias bastante naturais. Entretanto acarretam em cirurgias maiores, com maior tempo cirúrgico, bem como de recuperação. Parte de um músculo das costas, chamado de Grande Dorsal, também é bastante útil, mas raramente utilizado como primeira escolha. A avaliação individual e criteriosa permitirá se chegar à melhor opção de reconstrução, sempre em conjunto com a paciente.

A recuperação de reconstruções pós-mastectomias em princípio requer aproximadamente um mês, com a liberação gradual para atividades corriqueiras. Tais cirurgias costumam necessitar do uso temporário de drenos e demandam fisioterapia para o braço do lado operado.

Existem muitos aspectos relativos à reconstrução mamária que serão tratados individualmente, dependendo de questões como a idade da paciente, o tipo de câncer, sua localização na mama, sua proximidade com o CAM, o volume das mamas ou a indicação de radioterapia. As cicatrizes costumam ser maiores do que nos casos de setorectomias, podendo se estender radialmente da aréola até próximo à axila, ou mesmo se assemelharem às cicatrizes de mamoplastias estéticas (conhecidas como “T invertido”).

Etapas seguintes da reconstrução mamária

Outras etapas cirúrgicas subsequentes podem ser indicadas, conforme se avalie a necessidade de acabamentos, como a correção de eventuais irregularidades na pele e o desejo de se reconstruir o mamilo. Geralmente se tratam de cirurgias menores, programadas eletivamente, nas quais o enxerto de gordura, removido da própria paciente, é uma valiosa ferramenta a contribuir para resultados cada vez mais naturais.

É fato que, atualmente, ainda que a reconstrução mamária pós-mastectomia não seja capaz de restabelecer funcionalmente o órgão, é perfeitamente possível conciliar o tratamento oncológico com benefícios estéticos.

Seja nas cirurgias mais conservadoras, ou mesmo nas grandes reconstruções mamárias, cabe a todos que integram a equipe multidisciplinar acolher a paciente com câncer de mama sempre de forma otimista, reforçando que as terapêuticas vigentes estão a seu favor, na busca pela cura, pela retomada da autoestima, pela vida digna e saudável.

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