O que significa o índice APGAR? Pediatra neonatal explica
24 de março de 2021

O dia 16 de outubro marca o Dia Mundial da Alimentação, e para celebrar a data, vamos falar um pouco sobre alimentação infantil e sobre alguns mitos do processo de aprendizagem. A nutri Flávia Guedes e a fono Ana Battezini, aqui do Nasce, tiram algumas dúvidas quanto a isso.

As crianças estão em plena formação de hábitos de vida, portanto a alimentação deve fazer parte dessa construção e aprendizado de hábitos. A infância é um período crucial em termos de formação de hábitos alimentares, é a fase de adaptação e formação de paladar que tende a se solidificar na vida adulta. Por isso, é importante estimular o consumo de uma alimentação saudável, com fontes de alimentos naturais e in natura sempre que possível.

O consumo de alimentos industrializados, ricos em gordura e os famosos fast foods costuma aumentar conforme as crianças vão crescendo, assim como o consumo de alimentos processados e ultraprocessados, em detrimento da ingestão de alimentos naturais e in natura. Tais modificações determinam o processo denominado transição nutricional, caracterizado por aumento das taxas de desnutrição, aumento da prevalência de obesidade e incremento de casos de deficiências nutricionais específicas, pouco evidentes clinicamente, mas prejudiciais à boa saúde.

O período escolar é caracterizado por uma maior sociabilização e independência, o que normalmente promove uma maior e melhor aceitação dos alimentos e um apetite voraz, que deve ser compatível com a atividade física e estilo de vida saudável para não haver ganho de peso excessivo e distúrbios nutricionais. As características alimentares desta fase, devem ser observadas com cuidado e ajustadas quando necessário da melhor maneira, com paciência e adaptação de hábitos saudáveis, evitando possíveis conflitos nas relações familiares. O exemplo da família é fundamental para formação de hábitos alimentares saudáveis, uma vez que normalmente as crianças costumam aceitar melhor alimentos consumidos pela família.

O manejo para aceitação de alimentos mais nutritivos deve ser feito da forma mais natural possível, evitando forçar, discutir ou qualquer processo de manipulação (chantagens, promessas ou trocas por exemplo), porém, não forçar a alimentação, não significa não ter algumas regras alimentares.

10 MITOS DA ALIMENTAÇÃO, POR KAY A. TOOMEY. TRADUÇÃO: FGA ANA CAROLINA BATTEZINI

  1. ALIMENTAÇÃO É A PRIORIDADE NÚMERO 1 DO CORPO
    Porque é FALSO:
    Na verdade RESPIRAR é prioridade número 1 do corpo. Sem boa oxigenação, comer se torna difícil porque fechamos nossa via aérea brevemente com cada deglutição e nosso nível de oxigênio baixa levemente. ESTABILIDADE POSTURAL (“não cair de cabeça”) é a prioridade do corpo número 2. Alimentar-se é prioridade número 3. Se respiração e estabilidade postural estão comprometidos, a alimentação pode afetada.
  2. O ATO DE SE ALIMENTAR É INSTINTIVO
    Porque é FALSO:
    Comer (se alimentar) somente é instintivo no primeiro mês de vida. Do nascimento até mais ou menos o quarto mês de idade temos um conjunto de reflexos motores primitivos (como busca, sucção, deglutição) que nos ajuda a comer enquanto se estabelecem caminhos no cérebro para controle motor voluntário de se alimentar. Entre o final do quinto ao sexto mês de vida, esses reflexos motores primitivos “desligam” e alimentação é essencialmente um comportamento motor aprendido.
  3. ALIMENTAÇÃO É FÁCIL
    Porque é FALSO:
    Comer é a tarefa física MAIS COMPLEXA que o ser humano realiza. É a ÚNICA tarefa humana que requer cada um dos sistemas orgânicos e que todos esses sistemas funcionem corretamente. Além disso, cada músculo do corpo é envolvido (uma deglutida, por exemplo, tem 26 músculos e 6 nervos cranianos coordenando). Alimentação é a ÚNICA tarefa que a criança faz que requer coordenação simultânea de todos os nossos oito sistemas sensoriais. Aprendizado, desenvolvimento, nutrição e o ambiente também têm que estar integrados para termos certeza que uma criança está comendo corretamente.
  4. COMER É UM PROCESSO DE DUAS ETAPAS: SENTA E COME
    Porque é FALSO:
    Na realidade existem cerca de 25 etapas para uma criança com desenvolvimento normal e 32 ou mais para crianças com dificuldades alimentares, no processo de aprender a comer.
  5. NÃO É APROPRIADO TOCAR OU BRINCAR COM A SUA COMIDA
    Porque é FALSO:
    Tocar a sua comida é parte do processo normal de aprendizagem do comer. Você pode aprender bastante sobre alimentos antes deles chegarem na boca através do toque e brincando com eles primeiro. É o “brincar com um propósito” que ensina a criança a “física da comida” antes da comida chegar na boca. Fazer bagunça e se sujar são uma parte importante de aprender a comer.
  6. SE UMA CRIANÇA ESTÁ COM FOME, ELA IRÁ COMER. NÃO SE DEIXARÁ PASSAR FOME
    Porque é FALSO:
    Isso é verdadeiro para 95-96% das crianças. Para os 4-6% que tem dificuldades alimentares, as crianças irão se deixar “passar fome” (apesar de geralmente involuntariamente). Para maioria das crianças com dificuldades alimentares, comer não dá certo e/ou é desconfortável (dói), e NENHUMA intensidade de fome supera esse fato. Crianças são organizadas de forma simples: se machuca, se dói ou é desconfortável, melhor não fazer. Se não funciona, chora ou corre.
  7. CRIANÇAS SÓ PRECISAM COMER TRÊS VEZES AO DIA
    Porque é FALSO:
    Crianças teriam que comer refeições do tamanho de uma refeição para adulto se eles comessem somente três vezes ao dia. Devido aos seus estômagos pequenos e curto tempo de atenção, a maioria das crianças levam entre cinco a seis refeições por dia para ingerir calorias suficientes para um crescimento e desenvolvimento adequado.
  8. SE A CRIANÇA NÃO COME, ELA TEM UM PROBLEMA COMPORTAMENTAL OU ORGÂNICO
    Porque é FALSO:
    Várias pesquisas indicam que entre 65-95% de todas as crianças com problemas alimentares têm uma COMBINAÇÃO de problemas comportamentais E orgânicos. Se a criança começa com um problema físico com alimentação, ela rapidamente aprende que comer não funciona/dói e uma série de comportamentos para evitar essa tarefa irá se manifestar. Se a criança começa com uma razão puramente comportamental/ambiental para não comer, o estado nutricional vai ser comprometido ou a falta de experiência irá logo começar problemas orgânicos.
  9. CERTOS ALIMENTOS SÃO SOMENTE FEITOS PARA SEREM COMIDAS EM CERTAS HORAS DO DIA
    Porque é FALSO:
    Alimento é só alimento. Não é comida de café da manhã, do almoço, da janta, do lanche ou “porcaria” (junk food). Alimento é uma proteína, um carboidrato ou uma fruta/vegetal. Rotular alimentos como “bons” ou “ruins” ou “somente para ser comida na refeição x” não ajuda a ensinar crianças a comer ou a ter uma relação saudável com a comida. Se uma criança come frango e ervilhas melhor no café da manhã, tudo bem.
  10. CRIANÇAS DEVEM TER BOAS MANEIRAS EM TODAS AS REFEIÇÕES
    Porque é FALSO:
    Se alimentar vem primeiro. Comportamento vem em segundo lugar. As habilidades para comer têm que ser aprendidas primeiro, antes das crianças terem boas maneiras. Momentos de refeição são uma oportunidade de ensinar, e os pais são os professores. Crianças comem muito melhor quando sua comida é envolvente, interessante e
    atraente. Elas também comem melhor quando as conversas na hora da refeição são focadas em falar sobre o alimento (não a criança), e quando adultos estão mostrando (dando modelo) como comer e ensinando a “física” dos alimentos.

Então, vá em frente, aproveite sua comida e a experiência da alimentação com sua criança! Seja barulhento, seja bagunceiro e brinque com os seus alimentos!

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