Nutrição: o que a mãe come influencia no desenvolvimento do cérebro do bebê

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Uma nutrição adequada é fundamental para o desenvolvimento e crescimento do cérebro, principalmente durante os primeiros mil dias de vida do indivíduo (período da concepção aos 2 anos de idade). E é por isso que o assunto se torna fundamental para toda grávida prestar atenção. Hoje a nutricionista Betina Ettrich nos traz as informações mais importantes sobre alimentação da gestante, que impacta no desenvolvimento do cérebro do bebê.

Estruturas e processos se formam nesse período, incluindo os sistemas sensoriais (especialmente auditivo e visual), o hipocampo (aprendizagem e memória declarativa), a mielinização (velocidade de processamento) e o sistema monoaminérgico (afeto, recompensa). Mesmo o córtex pré-frontal (planejamento, atenção, inibição, multitarefa) e os circuitos cerebrais envolvidos no comportamento social têm rápido desenvolvimento nos primeiros mil dias.

Embora o neurodesenvolvimento continue ao longo da vida de uma pessoa saudável, aos 2 anos o cérebro passou por uma gigantesca reestruturação. Muitas das etapas de desenvolvimento esperadas durante esse período não serão capazes de ocorrer mais tarde na vida.

O ambiente nutricional irá influenciar se o crescimento e a diferenciação do cérebro ocorrerão normalmente ou não. A nutrição inadequada pode aumentar o risco de déficits de desenvolvimento neurológico e cognitivo. Sabe-se que o prejuízo neurológico será mais evidente quanto mais cedo ocorrer a deficiência nutricional e que, caso ocorra ainda durante a vida intrauterina, a magnitude da lesão será ainda maior, gerando déficits permanentes na função cerebral.

Já a boa nutrição e o fornecimento de quantidades adequadas de macronutrientes (proteínas e certas gorduras) e micronutrientes essenciais (vitaminas e minerais) são necessários para o desenvolvimento normal do cérebro. Apesar de todos os nutrientes serem importantes, alguns têm maiores efeitos sobre o rápido desenvolvimento cerebral durante a gestação. São eles: ferro, ácidos graxos DHA, colina, iodo, vitamina B12, folato.

O ferro é um nutriente fundamental para oxigenação, replicação celular, produção de hormônios e desenvolvimento cerebral do feto. O bebê precisa de maior quantidade de ferro no terceiro trimestre da gestação, quando há rápido desenvolvimento cerebral. A deficiência de ferro pré-natal está associada a alterações cognitivas e comportamentais de longo prazo que podem ser irreversíveis. As principais fontes são as carnes (vermelhas e brancas), as leguminosas (feijões, lentilha, ervilha) e os vegetais verde-escuros (brócolis, couve, espinafre).

Os ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa, que incluem o ácido docosahexaenóico (DHA) e o ácido araquidônico (AA), são importantes para o desenvolvimento do cérebro e da retina. O aporte adequado dessas gorduras durante o período gestacional e pós-natal influencia no desenvolvimento do sistema nervoso e visual do recém-nascido, além de poder ter repercussão na inteligência e na intelectualidade do indivíduo na vida adulta. As principais fontes são os peixes (principalmente pescado, atum, anchova, sardinha e salmão), alguns frutos oleaginosos, sementes de linhaça e chia.

A colina é um nutriente essencial fundamental para formação das células, síntese de DNA e manutenção do sistema neurológico. Para o bebê, esse nutriente é muito importante para reduzir o risco de defeitos do tubo neural (DTN), formar a memória e melhorar a visão e a cognição. A principal fonte é o ovo, mas também é encontrado em carnes bovinas, fígado, peixes, feijão, lentilha, leite e derivados, germe de trigo.

O iodo é um nutriente essencial que está envolvido na produção dos hormônios da tireoide, que são vitais para o cérebro e o desenvolvimento neurológico do feto durante a gestação e o início da vida. As principais fontes são os frutos do mar e o sal iodado.

A vitamina B12 e a vitamina B9 (folato) participam da síntese de neurotransmissores e têm efeitos fisiológicos diretos sobre as funções cerebrais, com implicações importantes para a função cognitiva. As principais fontes de vitamina B12 são os alimentos de origem animal (carnes brancas e vermelhas, leite e derivados, ovos, frutos do mar) e de vitamina B9 são os vegetais verde-escuros, leguminosas e alimentos de origem animal.

Devemos priorizar sempre o consumo frequente dos alimentos fontes desses nutrientes, mas pode haver indicação de suplementação, de acordo com as necessidades de cada gestante a partir de uma avaliação nutricional individualizada.

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