“Gêmeas” de barrigas diferentes: após FIVs, perdas e complicações, decidimos pela barriga solidária e engravidamos naturalmente

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Sabe a cegonha? Não tinha jeito de ela aprender a chegar na casa da Marina e do Rodrigo.
Insistiram muito, mandaram várias cartas, e nada! Tentaram até as novas tecnologias disponíveis, mas estava difícil. Então, encomendaram um bebê e pediram pra ela entregar na casa da Laura e do Fabio (irmã do Rodrigo e seu marido). E não é que, 11 dias depois, a cegonha se atrapalhou toda e entregou um bebê lá na Laura e o outro na Marina!
Dois bebês ao mesmo tempo, um de cada barriga!

Este emocionante conto é real e foi acompanhado pelo Nasce de pertinho em cada etapa. As irmãs Júlia e Carolina completam 4 anos agora em outubro de 2020 e são fruto de muito amor e desejo do casal de terem filhos. No caminho até a realização do sonho, passaram por muitas complicações antes deste lindo final feliz.

As irmãs Juju (de short azul) e Cacá (de short vermelho)

Senta que lá vem história!

Marina e Rodrigo se conheceram aos 17 anos no RS e namoram desde então. Ela estudou Direito, ele estudou Medicina e a profissão o levou para Brasília. Casaram e começaram as tentativas, sem muita pressa, de encomendar os herdeiros, quase na virada para os 30 anos de ambos. Mas como o “positivo” não vinha, fizeram todos os exames possíveis e receberam um diagnóstico: causa não identificada de infertilidade, que acomete 10% dos casais.

Partiram para a primeira de muitas fertilizações in vitro. Na primeira, um aborto espontâneo com 8 semanas. Depois, mais 4 vezes sem sucesso. Até que veio a Gabriela! Gravidez tranquila até o nascimento em outubro de 2014. Mas a bebê sofreu hipóxia (diminuição da oxigenação no cérebro) no parto, ficou 60h na UTI e não resistiu. 😢

Como se não bastasse o luto pela recém-nascida, Marina teve muitas complicações, como retenção de placenta e infecção no útero. Ficou internada, o útero passou por procedimentos, foi uma recuperação dolorida. E as chances de gravidez futura diminuíam ainda mais. “Perder uma filha e de repente ouvir do médico que não podia mais engravidar, foi bem complicado aceitar”, conta a Marina. Vieram novas fertilizações e inseminações, infelizmente nenhuma deu certo. “Era como se o corpo não preparasse o ninho para receber o ovo”.

A única opção seria usar o útero de alguém “emprestado”. Aliás, não se fala “barriga de aluguel”: o termo correto é útero de substituição. Foi então que a irmã mais nova do Rodrigo, a Laura, se voluntariou. Enfermeira obstétrica, casada, já tinha um filho pequeno – o Pedrinho, de 1 ano e meio – e não pretendia aumentar a família em breve. Então, era o momento certo: agora ou nunca! Era o verão de 2016. Laura havia acompanhado todo o sofrimento do irmão e da cunhada. Já imaginava que chegaria a esse ponto e ficou muito feliz de poder ajudar na realização desse sonho.

“Quando o Rodrigo me comentou que a Laura havia se oferecido para ser o útero de substituição, foi uma surpresa muito grande! E logo me acostumei com a ideia, pensamos em como funcionaria na prática, tipo o pós-parto, a amamentação…”, conta Marina.

Chegou a hora da fertilização in vitro, dois embriões implantados e… Um vingou! Laura grávida à espera do bebê tão desejado por Marina e Rodrigo. E agora vem a maior curiosidade. Rodrigo é quem conta:

“Onze dias depois da gravidez da Laura confirmada, a Marina aparece com um teste de gravidez positivo! Quando ela me ligou para contar, eu estava dirigindo e falei: ‘Como assim, tem certeza?!’ Naturalmente, sem tratamento! Pois é, fiquei com minha irmã e minha esposa grávidas de bebês nossos! Nunca poderíamos imaginar. Sem saber da minha irmã, ela já estava grávida. Agora serão dois!”

Quando ligaram para Laura e o cunhado, Fábio, eles só davam risada! As duas grávidas ao mesmo tempo, quem poderia mesmo acreditar?

““Sabíamos que teríamos só esse bebê, pois, depois da barriga solidária da Laura, não teríamos outra chance. E então essa surpresa maravilhosa de engravidar naturalmente, teríamos dois bebês ao mesmo tempo, com diferença de poucos dias“, conta Marina.

Laura foi acompanhada pela obstetra Aline Polanczyk. Marina vinha de Brasília uma vez por mês para o pré-natal com o obstetra Edson Cunha, no Nasce, e para visitar a baby na barriga da cunhada.

Laura (à esquerda) e Marina (à direita), gestando as gêmeas em 2016 ♥️

A gravidez de Marina correu super bem, a de Laura teve pequenas complicações. Ao longo das duas gestações, médicos e psicólogos acompanharam as famílias e falava-se em conciliar as datas de nascimento, para as “gêmeas de barrigas diferentes” virem no mesmo dia.

E surpreendentemente foi assim que tudo aconteceu! Com 36 semanas, Marina veio de Brasília e aguardavam a cesariana marcada para final de outubro. Um dia antes do previsto, a Laura teve um sangramento e foram todos para o hospital. No dia 26/10/2016 nasceram as “gêmeas” (uma de cada útero), as irmãs Júlia e Carolina!

Conseguimos conciliar o dia dos partos, que ocorreu no Moinhos de Vento. Facilitou a vida para todo mundo, do contrário teríamos que passar o resto da vida explicando. Nasceram no mesmo dia, são gêmeas!”, explicou o Rodrigo.

E as bebês estavam super saudáveis, não seriam partos prematuros. “Depois do que passamos com a Gabriela, estávamos cautelosos, mas os obstetras nos deram toda a segurança necessária. Eu já estava com contração e dilatação, todos conversaram muito para tomar as decisões”, comenta Marina.

O primeiro contato da Juju recém-nascida foi com a Marina e depois foi a vez da Cacá nascer. Laura ficou na maca ao lado assistindo. O hospital estava bem vazio e muita gente veio acompanhar. Queriam participar daquele momento pelo ineditismo da história!

Marina e Rodrigo com as bebês no dia do nascimento

“Hoje em dia, quando contamos, ninguém acredita”, diz Marina. “As pessoas ficam impressionadas! Nossa história é levada de forma anônima em congressos, mas agora estamos prontos para falar”.

“Até esqueço quem saiu da barriga de quem. Para nós, não tem a menor diferença. As duas são nossas filhas, as duas chamam a tia de dinda”, conta Rodrigo.

“Tudo o que a gente passou só a gente sabe. Sou extremamente feliz e realizada com as minhas filhas. Faria tudo de novo!”, conclui Marina. ♥️

Quer ouvir a Laura? No vídeo-entrevista a seguir, ela conta como foi a experiência de barriga solidária para o irmão e a cunhada! Prepare-se para se emocionar também.

O obstetra Edson Cunha, que acompanhou a gestação de Marina e fez o parto, conta como foi a notícia:

“Esta história foi também um grande desafio! O Rodrigo me ligou e disse: ‘Edinho, fizemos a transferência na Laura. Tudo certo. Está com 6-7 semanas. E tu não vai acreditar: a Marina também está grávida! Cinco semanas. Estamos indo para aí (Porto Alegre). Preciso de ti’.

Nossa! Passou toda a história deles na minha cabeça. Uma mistura de felicidade pela conquista de um casal de amigos, de um colega bastante próximo da época da residência, e a responsabilidade muito aumentada, por conta de toda a história passada deles. Time grande, dois obstetras, psicólogos e a família sempre muito centrada, feliz, focada e unida. Tudo certo. Sucesso!”

Camila Saccomori
Camila Saccomori
Camila Saccomori é mãe da Pietra e jornalista especializada em Primeira Infância. Escreve os conteúdos para o site e as redes sociais do @nascesaude. Dicas e sugestões? Fale com a gente!

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