Dificuldades alimentares na infância: o que você precisa saber

Qual pasta de dente infantil escolher?
15 de junho de 2020
Cérebro de grávida: mito ou verdade?
22 de junho de 2020

Dificuldades alimentares (ou problemas alimentares): este termo era usado de diferentes formas pelo mundo até que, no ano passado (2019), um grupo de especialistas de diferentes países entraram em um consenso com o termo Pediatric Feeding Disordertranstornos (ou distúrbios) de alimentação pediátrico. Definido como uma ingesta oral comprometida (deficiente) que não é apropriada para idade, e é associada com disfunção médica, nutricional, de habilidade para se alimentar, e/ou psicossocial.

O que isso quer dizer? Que qualquer situação que impeça a alimentação adequada e segura, com prazer e eficiência, apropriada para idade, pode ser considerado uma dificuldade alimentar.

A fonoaudióloga do Nasce Criança, Ana Carolina Battezini, nos guia sobre o tema a seguir. No Brasil quem atua nessa área é principalmente o fonoaudiólogo. Também nutricionistas, terapeutas ocupacionais e alguns psicólogos estão entrando nesse campo, como já ocorre em países como EUA, Canadá e Austrália, atuando como “feeding therapist“, que seria o terapeuta de alimentação.

“O mais importante é que o profissional seja especializado, esteja sempre se aprimorando e estudando nessa área das dificuldades alimentares. E o mais indicado vai depender de cada criança, mas a atuação interdisciplinar é importantíssima”, reforça Ana Carolina.

Estudos mostram que 20 a 35% de crianças com desenvolvimento típico podem apresentar dificuldades alimentares. Crianças com atraso de desenvolvimento, condições médicas complexas e outros podem apresentar até 80% de chance de ter uma dificuldade alimentar.

Qual a diferença entre dificuldade alimentar e disfagia?

É importante esclarecer a diferença entre disfagia e dificuldade alimentar (seletividade, recusa, aversão) pois elas não necessariamente andam juntas. A forma de tratamento e as abordagens utilizadas são diferentes. Se tratado de forma inadequada, pode prejudicar ainda mais o quadro em que a criança se encontra.

Resumidamente a disfagia é a dificuldade no ato em si do comer – comida entra na boca, mastiga, engole – e a dificuldade alimentar que envolve a seletividade, recusa e aversão é muito mais amplo e biopsicossocial – vai além do conseguir engolir, e sim na relação com o alimento. A seguir, entenda melhor cada caso.

O QUE É UMA DIFICULDADE ALIMENTAR

Engloba a seletividade, recusa e aversão alimentar – vai muito além do ato em si de comer, ou seja, a maioria dos bebês e das crianças conseguem mastigar e engolir, e não conseguem se alimentar. “Tem muito mais a ver com a relação que a criança tem com a alimentação, de como foi a introdução alimentar, de como é as questões sensoriais dessa criança agora, e quais são as razões para essa criança e para essa família de isso estar acontecendo”, explica a fonoaudióloga.

É comum essas crianças terem um repertório alimentar muito pequeno (aceitam poucos alimentos), não querer experimentar coisas novas – quase que aparentam ter um medo; pais geralmente relatam que os momentos de refeição são conturbados (estressantes), que é sempre uma briga, que só come isso ou aquilo, que às vezes é precisolevar algo porque a criança não vai comer fora.

São crianças que, se não é dado o que elas aceitam, elas não vão pedir para comer, e se tentarem “deixar sem nada ver se dá fome” também não vai adiantar e a criança vai ficar sem comer. Muitas vezes os pais também chegam com a queixa de a criança “não conseguir mastigar direito”, mas depois vemos que a criança consegue mastigar sólidos que ela gosta.

Há casos ainda de crianças que não gostam de tocar na comida. Além disso, pensando nas questões sensoriais mais amplamente, é o bebê ou criança que não gosta que encoste muito no pé, não coloca o pé na grama e areia, não gosta de sentir texturas diferentes.

As causas são variadas, podendo ser orgânicas, motoras, sensoriais, emocionais e comportamentais. Alguns estudos apontam que comportamentos considerados negativos fazem parte do processo de desenvolvimento do aprender a se alimentar, porém quando esses são mais intensos e frequentes podemos considerar uma dificuldade alimentar.

PREVENÇÃO das dificuldades alimentares

Na maioria das vezes é possível prevenir que isso aconteça. Desde bebezinho fazendo os momentos de amamentação (ou mamadas com mamadeira) serem momentos seguros e prazerosos, que o bebê se sinta bem e confortável. Depois, na Introdução Alimentar, é quando se pode fazer a maior prevenção, pois a relação com outros alimentos além do leite materno entra na vidinha deles.

“Uma introdução alimentar responsiva, dando autonomia para o bebê ser um agente ativo nesse processo, é a melhor prevenção, pois o processo de alimentação é um APRENDIZADO BASEADO EM EXPERIÊNCIAS, ou seja, essa experiência feita de forma adequada, responsiva e segura vai proporcionar uma relação positiva com a alimentação”, informa Ana Carolina Battezini.

DISFAGIA PEDIÁTRICA

É uma incapacidade de se alimentar com segurança respiratória e eficiência em alguma das fases do processo de alimentação. É a existência de algum fator, interno ou externo que possa estar impedindo o alimento (e/ou o líquido) de chegar até o estomago dos nosso pequenos com segurança. Pode acometer até 80% das crianças com um atraso importante de desenvolvimento.

Várias questões podem ser observadas em cada fase do alimentar-se, mas a mais preocupante é a aspiração: é quando um pouco do que está sendo ingerido entra na via respiratória ao invés de seguir seu caminho para o esôfago. Isso acontece por essas estruturas estarem muito pertinho uma da outra. Causas são diversas, entre elas estão questões orgânicas, neurológicas, genéticas, metabólicas, coordenação motora oral, entre outros. E tem situações que crianças com o desenvolvimento típico (normal) pode apresentar disfagia por questões externas como posicionamento, utensílios, incoordenação entre outros.

Nem sempre estar com disfagia interfere no desejo e na relação que a criança tem com o alimento. Fique atento aos sinais: na sua maioria tosse, engasgo, voz (choro) molhado, olhos lacrimejando na hora de se alimentar. Porém, existem estudos apontando que em alguns bebês com desenvolvimento típico (normal) o reflexo da tosse não está maduro o suficiente, então a atenção tem que estar para como está o respiratório desse bebê (sempre com barulhinho, com problemas).

Existe prevenção da disfagia?

Se o bebê ou a criança está com disfagia por questões mais graves (neurológicas, por exemplo) temos que fazer a manutenção e adequação de toda alimentação. Porém, naqueles que ainda não está instalado pode-se cuidar o posicionamento na hora da mamada, os utensílios utilizados, os sinais que foram mencionados, e o mais importante conversar sobre isso com seu pediatra que ele poderá encaminhar para o profissional especializado.

Leia também aqui no site do Nasce
@@ Obesidade infantil: causas, prevenção e tratamentos
@@ Xixi na cama: perguntas e respostas sobre enurese
@@ Fisioterapia respiratória infantil: benefícios para bebês e crianças maiores

Nasce Criança
Nasce Criança
Nosso propósito é promover o planejamento saudável do desenvolvimento da criança, envolvendo todos os aspectos de saúde, com atendimento pediátrico, nutricional, odontológico e todas as especialidades necessárias nos primeiros anos de vida do bebê.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *