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Não é só em outubro que o tema merece atenção. Precisamos falar sobre câncer de mama para alertar a população sobre o diagnóstico precoce o ano inteiro. É fundamental abordar a prevenção da doença, pois nos estágios iniciais é assintomática.

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres em idade reprodutiva. Levando em conta as tendências atuais em adiar a gravidez, o câncer de mama em mulheres jovens inclusive pode ocorrer antes da conclusão dos planos de ter filhos.

Aqui, a mastologista Alessandra Borba, da Nasce, em Porto Alegre, traz informações sobre como reconhecer os fatores de risco elevado para câncer de mama e demais dúvidas comuns de mulheres.

Comportamentos para prevenção

De maneira geral, a prevenção do câncer de mama deve ser realizada com a prática regular de atividade física, uma boa alimentação, boa saúde mental, evitar excesso de bebida alcóolica e lembrar que a amamentação (idealmente por mais de 6 meses) é um fator protetor.

Quando fazer exames

Para pacientes de baixo risco o rastreamento recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia é de mamografia anual a partir dos 40 anos.
Para pacientes de alto risco (como aquelas com história familiar importante de câncer de mama, história de biópsia prévia com atipias, mutação genética identificada relacionada a genes de alto risco para câncer de mama e mamas densas) o rastreamento será individualizado na idade indicada (muitas vezes iniciando aos 25 anos).

Em que idade mais ocorre

A maioria dos cânceres de mama é encontrada em mulheres com 50 anos ou mais, mas o câncer de mama também afeta mulheres mais jovens. Cerca de 11% de todos os novos casos de câncer de mama nos Estados Unidos são encontrados em mulheres com menos de 45 anos.

Um grande estudo com 3 mil participantes brasileiras com câncer de mama realizado em 22 centros no Brasil identificou 17% de pacientes com diagnóstico antes dos 45 anos. “Embora o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama sejam difíceis para mulheres de qualquer idade, as jovens sobreviventes podem achar isso aterrorizador, uma vez que envolvem decisões desde tratamento e acompanhamento multidisciplinar, como questões ligadas a trabalho, sexualidade, fertilidade e crianças pequenas”, explica Alessandra.

Como é o tratamento em mulheres jovens

Sempre que diagnosticado câncer de mama em paciente com idade igual ou menor que 45 anos, a paciente deve ser encaminhada para aconselhamento genético e realização de teste molecular. Além disso, o mastologista irá abordar a cirurgia mais indicada para cada caso, e sendo necessário mastectomia a opção de reconstrução de mama imediata, deve ser abordada. O encaminhamento com especialista em reprodução também faz parte do manejo multidiscplinar e é possível congelar óvulos e embriões para preservação da fertilidade, antes do tratamento iniciar. O oncologista irá abordar o tratamento sistêmico e, na maioria das vezes, a quimioterapia será indicada nessa idade. E outros profissionais como nutricionista, psicólogo, radioterapeuta e fisioterapeuta também participarão desse time de tratamento.

Alerta: saiba mais sobre o câncer de mama associado à gravidez

Nessa idade jovem, ocorre também o diagnóstico de câncer de mama em pacientes gestantes. O câncer de mama gestacional é definido como câncer de mama diagnosticado durante a gravidez, no primeiro ano pós-parto ou a qualquer momento durante a lactação. O câncer de mama gestacional apresenta uma situação clínica também desafiadora, pois o bem-estar da mãe e do feto devem ser levados em consideração. A quimioterapia pode ser realizada a partir do segundo semestre, porém alguns agentes, como terapia alvo anti Her 2, não devem ser utilizados na gestação. O cuidado com cirurgia e momento do parto também são avaliados em equipe multidisciplinar.

Mulheres que tiveram câncer e desejam ter filhos

Existe uma preocupação com o fato da gravidez aumentar a chance de recorrência do câncer de mama, principalmente para mulheres com doença receptor hormonal positiva. Outra preocupação com a gravidez em mulheres com câncer receptor hormonal positivo é a necessidade de interromper a terapia hormonal adjuvante (pós-cirurgia) antes de tentar engravidar. Essa terapia hormonal ajuda a prevenir a recorrência do câncer, e é recomendável que as mulheres a recebam por pelo menos 5 anos e, em alguns casos, até 10 anos.

No momento, o recomendado é esperar pelo menos dois anos após o tratamento de câncer de mama para tentar gestar. Essas recomendações são baseadas em dados de séries de caso retrospectivos de pacientes que gestaram após o tratamento. Não existe dados para recomendação ou contra-indicação para tratamentos hormonais para gestar, como os necessários em fertilização in vitro. “A possibilidade de congelar os óvulos antes do tratamento pode facilitar a gestação após o tratamento no caso de pacientes que não voltaram a menstruar ou que estão com dificuldade de gestar”, informa Alessandra, salientando que um especialista em reprodução humana será o o médico indicado para essa avaliação.

Em resumo, o câncer de mama apresenta tratamento e rastreamento individualizado. Consultar com profissionais qualificados faz toda a diferença para o melhor tratamento e rastreamento em cada caso.

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