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Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer – INCA, estima-se uma incidência de 625 mil novos casos de câncer no Brasil em 2020, sendo o câncer de mama o de maior prevalência da população feminina (66 mil novos casos anuais).

Os avanços da ciência e o diagnóstico precoce têm proporcionado às pacientes oncológicas uma esperança maior de cura e de uma vida com maior qualidade. Sabemos que o tratamento oncológico pode impactar na fertilidade feminina e masculina. É por isso que o tema “preservação da fertilidade” é tão importante nesse momento. Quem nos explica é o ginecologista Andrey Boeno, do Nasce, especialista em Reprodução Humana.

Nas mulheres com câncer da mama, a quimioterapia é potencialmente nociva aos ovários, pois leva à destruição dos folículos primordiais ovarianos e também lesa o eixo hipotálamo-hipofisário. O nível de comprometimento da função destes órgãos pode variar de acordo com a idade e medicação utilizada.

A cura do câncer hoje, além de restituir a função de órgãos e sistemas, também deve assegurar o pleno restabelecimento da qualidade de vida após a doença. A oncofertilidade é uma área de extrema importância, conecta a oncologia à medicina reprodutiva, possibilitando o aconselhamento e o desenvolvimento de estratégias para a preservação da fertilidade, especialmente em pacientes jovens.

Uma conversa sobre os impactos do tratamento na fertilidade e sobre o desejo futuro de gestação é parte importante do acompanhamento destas pacientes. Uma consulta com um especialista em medicina reprodutiva deve ser aconselhada e o oncologista exerce papel fundamental neste direcionamento.

As pacientes que foram avaliadas por um especialista em reprodução humana têm uma melhor adaptação individual após o tratamento do que aquela que não teve esta experiência. Mesmo assim, observa-se que o número de pacientes encaminhadas para aconselhamento é muito pequeno, algumas afirmam nunca terem recebido informações ou orientações sobre a preservação da sua fertilidade.

Existem várias técnicas para a preservação da fertilidade feminina. O congelamento de óvulos e de embriões já estão bem estabelecidos e possuem eficácia extensamente comprovada. O congelamento de tecido ovariano apresenta resultados promissores, mas ainda é realizado em caráter experimental. Ele pode ser indicado para meninas antes da puberdade ou mulheres que possuam contraindicação para a estimulação ovariana controlada.

O congelamento de óvulos possui taxas de fertilização e gravidez semelhantes à fertilização in vitro utilizando óvulos frescos e não se observa aumento de anormalidades cromossômicas, de defeitos congênitos ou de alterações do desenvolvimento em crianças nascidas de óvulos congelados. É uma técnica adequada e segura para preservação da fertilidade.

Muitas mulheres irão ter o diagnóstico de câncer em idade fértil e isso torna a responsabilidade dos médicos ainda maior. Nós médicos devemos estar atentos a este detalhe que é muito importante. O tratamento do câncer é historicamente focado na cura da doença, e muitas vezes não leva em conta a fertilidade da paciente.

A capacidade de começar uma família e ter filhos é uma questão de grande impacto na qualidade de vida daquelas que assim desejam e sonham. A impossibilidade de gestação após o tratamento do câncer pode influenciar muito nessa qualidade. Por esse motivo é muito importante a discussão do assunto com especialista sempre que o diagnóstico se der em mulheres em idade reprodutiva.

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